Neo Neon: Jorge Lima Barreto

Track-list:

1. Equinox I
2. Solstice I
3. Equinox II
4. Solstice II



Design by Jorge Lima Barreto, Plancton Music & Joana Colaço


*



Jorge Lima Barreto was rehearsing intensely for a series of concerts in a hard pianistic effort at the time he had a borrowed Korg workstation synthesizer in the studio. “NEO NEON is a work divided in 4 selected tunes and multiple elements for synthesizer, sonic inventions on humility and pride in search of a new simplicity. It represents a minimalist concept put on practice, to leave sounds on their own – an appeal to the automatism and unconsciousness. With NEO NEON the composer/improviser establishes his hypnotic idiolect, a horizontal rhizome, remembering single melodic lines, discreet polirythms and poetic arpeggios in a quasi-minimal ambience.”


*


Jorge Lima Barreto (1949 - 2011)

Jorge Lima Barreto began his musical activity in the late 1960's with a series of interventions in experimental and Jazz music. A graduate in Art History and a doctorate in Musicology and Social Communication Theory, Lima Barreto is also a music critic and theorist, writing many books about music and producing radio programs, lessons, essays, interviews, e.a. In the 1970's he founded Anar Band, recording electroacoustic compositions with Saheb Sarbib and Carlos “Zingaro”. In 1982 he founded the duo Telectu with Vítor Rua, recording an extensive discography as well as composing music for theatre, cinema, poetry and video. As a pianist and poly instrumentist he has played and recorded with musicians like Nuno Rebelo, Evan Parker, Chris Cutler, Jac Berrocal, Louis Sclavis, Paul Lytton, Tim Hodgkinson, Eddie Prévost, Giancarlo Schiaffini, Ikue Mori, Paul Rutherford, Barry Altschul, Tom Chant, John Edwards, Sunny Murray, Sei Miguel, Elliott Sharp and Herb Robertson, performing in showrooms of cities like Moscow, New York, Paris, London and Peking.


*

PRESS:


JORNAL DE NOTÍCIAS
Trabalho a solo de um músico com uma carreira de mais de 30 anos de total independência artística, "Neo neon" traz-nos Jorge Lima Barreto no seu melhor, com uma recordação daquilo que foi a arquitectura sonora dos Telectu.
Aqui está base de uma sonoridade peculiar marcada pelo minimalismo e, acima de tudo, por uma atmosfera planante. Quem não está identificado com a linguagem estética de Lima Barreto deve correr a ouvir este documento, onde está um testemunho fundamental da música criada por portugueses, nas duas últimas décadas.
O teclista e improvisador teve de adaptar a sua sonoridade à moderna tecnologia da workstation que utilizou em mais de hora e meia de gravação, da qual só utilizou cerca de 30 minutos para "Neo neon".
Os sons mágicos que brotam dos dedos de Barreto funcionam um pouco como uma máquina do tempo para quem acompanha a carreira dos Telectu desde há 22 anos: neles identificamos paisagens de "Belzebu", "Off Off", "Performance", "Halley", entre vários outros. Ao mesmo tempo, julgo que é ainda de realçar outro aspecto desta proposta: a forma como a sua música se apresenta acessível. Não é necessário possuir um ouvido particularmente instruído para a apreciar a beleza e a honestidade deste registo.O fruidor devedeixar-se planar, sem qualquer tipo de preconceito, com os fluidos que as colunas do seu CD jorram como se se tratasse de cataratas electrónicas .
A música produzida em Portugal precisa de discos destes: é com eles que, se calhar somente daqui a muitos anos, se fará a História. Uma chamada de atenção para a capa, de autoria de Silvestre Pestana, recente vencedor do grande prémio da Bienal de Cerveira.
Rui Branco, in Jornal de Notícias

MONDO BIZARRE
Jorge Lima Barreto, crítico, teórico e músico pertencente aos Telectu (com Vítor Rua) tem já uma longa carreira artística e académica, iniciada nos anos 60. A ele se deve, em grande medida, a divulgação em Portugal (através de programas de rádio e livros) de muitas correntes de música contemporânea de vanguarda, como a improvisação, a electrónica experimental, a electroacústica e, sobretudo, a música minimal repetitiva, que teve nos próprios Telectu, os primeiros representantes nacionais desta estética musical que celebrizou Philip Glass, Terry Rilley ou Steve Reich. Ora, Jorge Lima Barreto, sem o apoio criativo de Rua, lança-se num disco a solo (gravado em 2000, mas só editado em 2003), no qual compõe e interpreta quatro peças de música electrónica. E é uma electrónica minimalista, em texturas rítmicas rodopiantes e repleta de adornos e padrões melódicos que vão progredindo a pouco e pouco e se vão sobrepondo uns aos outros. Uma técnica de composição, de resto, recorrentemente utilizada pelos compositores minimalistas norte-americanos. Não há aqui lugar a grandes rasgos de inovação estética, mas nestas peças encontramos, de facto, essa característica tão comum nos primeiros trabalhos do dúo Telectu: a capacidade para, mesmo recorrendo a metodologias de composição já conhecidas, conseguirem criar interesse e motivação no ouvinte. É esse também o caso deste Neo Neon.
Vítor Afonso, Mondo Bizarre nº. 18 de Março de 2004